O Agricultor, o Galinha e as Uvas

Era uma vez um agricultor brasileiro que foi contratado por um bêbado português para vir tirar do marasmo a agricultura portuguesa e torná-la a mais famosa do planeta. Afinal de contas, o agricultor tinha acabado de vencer o campeonato mundial de lavoura (e oração).

Uma vez chegado, o falso modesto (e pago a peso de ouro) agricultor resolveu cortar a direito e indo contra as pretensões de meio país, começou a inventar uma forma de dar um cunho pessoal à excelente casta de uvas que despontava no meio da bruma. Inventou, inventou tanto que conseguiu arranjar atritos com o maior produtor de uvas da Europa nos anos de 2003 e 2004 que era, curiosamente, oriundo do Norte do País que principescamente lhe pagava.

Entretanto começou o Campeonato da Europa de Agricultura de 2004. Confiante na Senhora do Caravaggio, sua protectora no último Mundial Agrícola, deixou de fora aquela que era a uva mais premiada de sempre, contra tudo e contra todos (menos contra o bêbado, que apreciava outro tipo de bebidas mais fortes), levando ao invés um Galinha com voz de ratazana, que julgava ser dos Ovos de Ouro. Na primeira etapa, resolveu apresentar uns produtos de segunda linha, que por serem mais maduros, se aproximavam da podridão e, obviamente, ia ficando logo de fora do resto do concurso. Quando o tal meio país começou a irritar-se com o agricultor, o mesmo abriu a cartola e apresentou a tal casta que tinha sido podada por um tal de José Mário, de uma terra de pescadores, casta essa que tinha, no ano anterior, sido vencedora da medalha de prata e, nesse mesmo, ano da medalha de ouro de vinicultura.
Logicamente, começou a ultrapassar etapas, tal era a qualidade (e o hábito de vencer) daquelas uvas.

Eis que chega a Final. Todo o país estava entusiasmado. Afinal de contas, ainda há duas etapas atrás o Galinha com voz de ratazana tinha dado dois Ovos de Ouro consecutivos contra os conhecidíssimos bêbados da ilha de Sua Majestade, o que os deixou por terra. Chegam os Helenos, os filhos do Mar Egeu, batalhadores enérgicos e pescadores exímios.
Quando tudo fazia prever o contrário, o Galinha mostrou porque é Galinha e em vez de pôr novamente Ovos de Ouro, pôs um frango. Um singelo frango!
Pensou o agricultor: “A culpa não é do Galinha, nem tão pouco minha por não ter trazido a uva mais premiada! Foi sim do povo do mar, estóicos e bravos.”

O País não pensou o mesmo e atirou frangos para o jardim do Galinha, quem sabe para fazer companhia ao seu rebento mais recente.

O bêbado, ficou tão honrado com tal lugar, feito nunca antes conseguido pelo pequeno país, que logo renovou o contrato do agricultor brasileiro: mais dois anos de contrato. Vamos então ao Mundial, para mostrar que ainda há muitos Ovos de Ouro para dar.

2 anos passados na relativa tranquilidade (até porque metade do país foi “obrigado” a deixar de questionar o agricultor – que entretanto foi deslizando para ditador da “sua” quinta) e chegamos à prova maior de Agricultura. Aquela em que as frutas exóticas de outros continentes se misturam com as especiarias do antigamente e o conservadorismo da agricultura do Velho Continente, a tal que o Agricultor tinha vencido com outros tipos de cultivo: mangas, papaias, goiabas, até com carne bovina, imagine-se a fartura!

Pegando nas suas uvas, mais maduras, e no Galinha com voz de ratazana, venceu facilmente os seus irmãos ex-colonizados, os produtores de petróleo e os de feijões e seguiu para os produtores de flores e os bêbados da ilha - os mesmos dois que tinha vencido com, praticamente, as mesmas uvas de há 2 anos atrás.
E eis que aparecem os do costume, os gajos do champagne… Era desta que íamos mostrar que as nossas uvas eram melhores do que as dele. Qual espumante qual quê, nós temos o tinto…

Pois, o resto da história já se sabe: afinal uma uva, que já tinha sido considerada a melhor peça de agricultura do Mundo (e que não ficou de fora da convocatória, tal como a uva mais premiada de sempre, a tal uva do Norte) voltou a mostrar porque razão não claudicava nas horas da verdade.
Sobrava então a Honra, o terceiro lugar do Mundo, depois do segundo da Europa.
Mas, vindo do nada, teve que aparecer um tal de Criador de Porcos loiro que fez o Galinha meter mais dois frangos e, imagine-se, o PitBull da companhia afundar o resto do barco.
Pobre Galinha. Quando tudo já parecia esquecido, o Galinha voltava a claudicar numa etapa decisiva: esquecia-se que não podia pôr frangos quando deveria pôr Ovos de Ouro. “Não fáiz máu rapáiz, contxinuo confiando em você”, disse-lhe o agricultor, que entretanto já tinha nova renovação para vingar a derrota frente aos pescadores daí a 2 anos.

Mas esses 2 anos não foram tão fáceis como o sul-americano pensava… Devido às intempéries, a Figueira brava, a estrela da companhia, assim como o Queijo das ilhas, o artilheiro-mor do grupo, seguiram os seus caminhos, longe destes campeonatos de agricultura para os quais a idade não os deixava.
O caminho para o Europeu, em que finalmente o agricultor ia mostrar a sua fibra, ia dando em barraca. Sorte a do produtor (lapidador para alguns, orador para outros) que da ilha da Madeira saiu uma pérola que o safou.

E, de um momento para o outro, mais ou menos sofrido, cá estavam os Viriatos, dispostos a vingar a morte do seu antepassado (e deles próprios, há 4 anos atrás). Com o vento a favor, entraram com tudo. Mostraram aos Otomanos que para cá de Istambul não mandam, aos Checos que bons, só no ski, mas deleitaram-se com o chocolate… Mas porquê o chocolate, que já se tinha derretido, ao mais pequeno toque? Porque apresentou umas maçãs e umas pêras de Alcobaça, guardando as uvas, a pérola e o Galinha para a hora da verdade, a hora da vingança, a hora em que íamos mostrar a qualidade das nossas castas. A hora em que o Criador de Porcos ia perceber que tinha feito mal em dizer que o Galinha só era bom por entre as portas da capoeira.

A verdade é que a casta é boa… O problema é que a pérola queria ir ser diamante para o nosso país vizinho e se esqueceu do que é preciso para se ser o melhor do Mundo: jogar à bola.

E, obviamente para todos menos para o agricultor e para si próprio, o Galinha voltou a meter 2 frangos na hora da verdade. Mas porquê? Oh minha senhora do Caravaggio, mas porquê?

Porquê?

Porque és um casmurro de merda, porque não sabes ler um jogo de futebol, porque a sorte de antigamente não esteve contigo, porque graças a ti os jogadores estavam todos a pensar no contrato que têm que fazer agora que acabou o sonho e porque a Galinha que arvoraste ao mundo inteiro que era dos Ovos de Ouro afinal é uma Galinha parteira (o que toda a gente sabia, inclusivamente o agricultor que o levou para Sevilha).

Agora resta-te, mais uma vez, tentar tapar o Sol com a peneira e ires podar as videiras que o José Mário, o tal da terra de pescadores, te deixou em Londres.

A grande diferença é que agora não tens à tua espera um bêbado que bebe tudo o que lhe metas à frente. Agora vais apanhar um selectivo que prefere bebida destilada a partir de cereais.

Mal seja para nós, e bom para ti, que quando o russo te mandar para o Caravaglio por teres a mania que és sargentão e não ganhares nada, cá esteja o bêbado, ávido de te estender o tapete e se ajoelhar à tua frente.

Boa viagem!!!

2 Response to "O Agricultor, o Galinha e as Uvas"

  1. Ricardo Says:

    Excelente poda, companheiro!

    Com agricultores desta estirpe, o destino estava irremediavelmente traçado.

    "Às vezes penso: E se eu me dedicasse à Vinicultura?"
    - Já vais tarde.

    "Quem me apoiaria?"
    - O Galinha, de certeza.

    "Minha família de sempre?"
    - O Madaíl? Sim, se já tivesse mamado duas garrafas de aguardente.

    "Os meus amigos de sempre?"
    - Além do Madaíl e do Galinha, não estou a ver.

    "Isso é hora de chegar, Seu Filipe?"
    - Ah é hora de ir para Londres.

    "Ah o Murtosa de sempre!"
    - Que remédio. Com os balúrdios que vais ganhar, eu se tivesse aquele bigode também apoiaria.

    "E nas minhas poupanças, quem me apoiaria?"
    - Deixa ver: o Madaíl, o Oliveirinha e o Russo?

    "Só mesmo o banco de sempre"
    - Acho que o Quaresma não te apoiaria, ó Scolari!

    "O que me oferece a melhor rentabilidade"
    - Como, se não joga?

    Já vais tarde, Big Phil. Não te dou até Março para levares um pontapé no cu com muitos milhões no bolso. No fundo, o que te interessa, mercenário de merda.

  2. Anónimo Says:

    Extraordinariamente bem explicado meu caro amigo... Penso que o sentimento é mútuo a tantos outros compinchas.

    O que me lixa é que depois ainda tenho de ouvir malta a dizer que o facto de se ter tornado pública a transferência, não ifluenciou em nada o desempenho da casta... "E burro sou eu?"