América...

O espectáculo está aí!

Ontem cheguei a casa lá para as 3 e pouco da manhã e fui fazer o meu zapping habitual pré-arrochanço...

Quando cheguei à CNN (e depois à Al-Jazeera) estava a discursar a mulher do Obama e, visto que me interesso por este tipo de assuntos, fiquei contente porque, pensei eu, deveria estar a dar ou um resumo ou, na melhor das hipóteses, quando a Michelle se calasse, o Barack ia ao palco e eu ia ter oportunidade de, no quarto da Lia, em Aveiro, estar a ver o (eventual) próximo Presidente dos States, na Convenção do Partido, em directo do pavilhão onde costumo ver os Denver Nuggets a jogar basket.

Depois de 4 ou 5 minutos a conjecturar sobre o espectáculo que é o mundo tecnológico hoje em dia, bla bla bla, comecei a fartar-me do discurso da (eventual) futura Primeira-Dama do "Grande Satã"! A senhora só falava de como o marido dela era um querido, de como ela o amava, de como ele ia dar um grande Presidente, de como a Hillary o apoiava imenso, de como o Joe Biden, (eventual) futuro Vice-Presidente (que, by the way, é só provavelmente o emprego mais inútil do mundo, mas siga!) era um grande americano, e como o objectivo era levar a liberdade e a "American Way of Life" a todo o lado do mundo. Tudo isto, sem grande expressividade, com aquele ar de quem está a ler do teleponto um texto que deve ter sido lido, relido, re-relido e revisto por 300 acessores diferentes (pagos a peso de ouro) de forma a "agradar" a (era para dizer gregos e troianos, mas neste caso...) americanos, afro-americanos, latino-americanos e mais todo o tipo de red-necks, cristãos, evangélicos, baptistas, etc etc etc.

Quando a Lia me perguntou: "mas tu ainda não estás farto de ver essa porcaria?", eu acedi, com um sinal de cabeça, mas entretanto veio o fim do discurso. Bonito... É agora que vem o Barack!

Vem mas é o caraças!

Vieram as filhas dos dois, para cima do palco! Sim, as filhas, ambas com menos de 10 anos!

Para quê? Para acenar, bater palmas...

Quando já estava quase a vomitar, de tanto whiskey, perdão, de tanto degredo, o ex-libris deste singelo momento: o Obama (ele próprio) aparece numa tela, estrategicamente montada no palco, em directo do Kansas, para perguntar às filhas que tal se tinha portado a mãe!

Do futuro, nada! Do presente, nada! Do passado, muito! Até o Kennedy, o good'old Ted, lá foi dizer que em Novembro vai ver o primeiro negro a tomar posse em D.C.

Sinto repulsa por este tipo de encenações, por estas falsidades, pelos milhões gastos (só na Convenção vão ser gastos qualquer coisa como 60 milhões de dólares), pelo que não dizem, enfim, mais ou menos por tudo o que se passa por lá... Mas que fiquei colado na televisão, fiquei... Estupefacto? Sim. Mas fiquei...

Hoje é a Hillary!

The show must go on... God bless America!

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